Sem enrolações, “Rock Story” cumpriu promessa de ser a “vibração das sete”

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Desde 9 de novembro do ano passado no ar, “Rock Story” terminou nesta segunda-feira (5) cumprindo exatamente aquilo que prometia e alardeava em suas chamadas iniciais: ser a nova vibração do horário das sete da Globo.

Com texto de Maria Helena Nascimento, com direção de Maria de Médicis e artística de Dennis Carvalho, a autora estreante deu conta do recado e manterá a emissora nessa pegada de rejuvunescer e dar oportunidades a novos autores.

A oxigenação se faz necessária, uma vez que seus medalhões estão escrevendo menos e outros até se aposentaram de vez, como é o caso de Manoel Carlos. Gilberto Braga, outra figura carimbada do horário das nove, declarou recentemente que não interesse em escrever um novo folhetim para a faixa.

“Rock Story” não inventou a roda, não teve grandes engenhos. A roda, no entanto, não parou de girar um só capítulo, com zero barriga e enrolação. A rotatividade de histórias impressionou, e a capacidade da roteirista em contar e mergulhar em cada uma delas, também. Todos ali foram protagonistas.

Tendo a indústria da música como pilar, Maria Helena Nascimento trouxe elementos nostálgicos como o dono de uma gravadora, interpretando por Herson Capri, o Gordo, num de seus grandes papéis da carreira. Parabéns, “cara”!

Leveza

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O horário das sete vem numa crescente desde “Alto Astral” (2014-2015) apostando numa forte veia cômica. Foi assim posteriormente com “I Love Paraisópolis”, que apesar de insossa, abusava desse artifício, “Totalmente Demais”, grande sucesso do horário e por último, “Haja Coração”.

Desta vez, a autora aliviou num núcleo que tinha tudo pra ser pesado, o de Alex (Caio Paduan), o grande vilão da história. Ao seu lado, William (Leandro Daniel) e Romildo (Paulo Verlings). “Você é burro”? Os bandidos trapalhões ganharam vida própria, e mesmo quando Alex se ausentou da trama, eles não se perderam. Os dois foram uma grande válvula de escape.

O núcleo de Nelson (Thelmo Fernandes) e Edith (Viviane Araújo) também foi outro grande atrativo. Destoa, no entanto, Tom (João Vítor Silva). Talvez esse tenha sido o único personagem que não tenha desenvolvido e evoluído com os outros, ao não ser pela banda 4.4, que galgou aos poucos seu sucesso até chegar ao desmanche. Não teve um grande par romântico que pudéssemos torcer. Ou até tivemos, a Natália (Thayla Luz), que com tantas idas e vindas, passaram batido.

Intensidade sem atropelo

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A banda 4.4 chegou onde queria: ao estrelato. Mas a história não teve atropelos, e a novelista soube exatamente os rumos que queria dar aos garotos. Seus integrantes viveram dramas pessoais e evoluíram junto com o sucesso.

Zac (Nicolas Prattes) contruiu uma história com seu pai, JF (Maicon Rodrigues) teve sua relação com Luana (Joana Borges) estremecida e rompida, Jaílson (Enzo Romani) mostrou que é possível se recuperar e sair de uma subvida, e Nicolau (Danilo Mesquita) emocionou desde o início do câncer. Tom, mais uma vez, se apagou.

Roubou a cena

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Como uma mãe superprotetora, Dona Néia (Ana Beatriz Nogueira) foi um dos pontos altos de “Rock Story”. Assim como Léo Régis (Rafael Vitti), um popstar cheio de qualidades e defeitos, um ser humano. A trama, que só teve dois personagens maniqueístas, soube dosar exatamente isso.

Destaco também o personagem Ramón (Gabriel Louchard) e suas bochechas que tanto irritavam Lázaro (João Vicente de Castro). Este vilão, aliás, só se deu mal, de fato, no último capítulo. Não houve tempo hábil para que o espectador acompanhasse sua derrocada. O que é uma pena.

Uma história de amor

O que não pode faltar em uma telenovela é, e sempre será, uma boa história de amor. Nesta, a de Gui e Júlia (Nathalia Dill), que teve uma irmã gêmea, Lorena.

O casal, ora atrapalhados por Léo, ora por Diana (Alinne Moraes) ou Lázaro, não foi aquele casal do amor impossível, ou dos clichês intermináveis. Eles passaram a maior parte da trama juntos, bem como o sofrimento. Também juntos.

Alinne Moraes foi magistral defendendo sua personagem, fazendo com que houvesse até torcida por ela em seu defescho. Uma mulher e mãe que também teve muitos defeitos, mas também sempre humana, com limites morais definidos, embora tenha apelado para a falsa gravidez para tentar segurar Gui.

No mais, “Rock Story” é uma novela que deixará saudades. Fluída e sem enrolar o telespectador, ela simplesmente retribuiu por não duvidarem de sua inteligência ou desafiarem sua paciência.

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